Um banho para celebrar o amor

CASAL-TOMANDO-BANHO

Corremos o máximo que pudemos para escapar do temporal que encharcara nossas roupas. Meus pais haviam viajado e estávamos a sós em casa. Fechei a porta, rimos e nos beijamos ainda com a chuva gelada escorrendo por nossos rostos. Peguei uma toalha pra ela, liguei o aquecedor do banheiro e fui surpreendido quando Rafaella estendeu o braço, sorriu com os olhos e perguntou:

“você não vem?”

Poucos meninos romantizam sua primeira vez. A maioria prefere inclusive que aconteça sem envolvimento algum. Um ato mecânico, quase didático, e pronto. Vencido o rito de passagem, sentem-se prontos para encenar experiência com qualquer uma que realmente lhes interesse. Aos 16 anos, confesso que também planejava um encontro casual. Mas quis o destino, ou melhor, Rafaella, que comigo fosse diferente.

Ela era um ano mais velha, morena, olhos incrivelmente verdes e um sorriso que me conquistara desde o primeiro dia em que a vi na escola. Ah, ela também era virgem, mas ao contrário de mim admitia essa condição sem qualquer constrangimento. Sua imagem na porta do banheiro, sorrindo para mim, fez meu coração disparar. Beijamo-nos longamente e trancamos a porta…

Dentro do banheiro tiramos nossas roupas molhadas e pela primeira vez tive uma mulher nua em meus braços. Nos ensaboamos enquanto o vapor da água quente ajudava a dar um clima de filme àquele momento. Meu Deus como ela era linda. Seu cheiro, a maciez de sua pele, suas curvas e seu olhar desinibido. Não sei exatamente quanto tempo ficamos ali. Mas até hoje foi o banho mais demorado da minha vida.

O mais incrível é que não transamos dentro do banheiro. Quer dizer, não houve penetração. Mas não tenho dúvida de que o que fizemos ali foi amor. Tenho aquele banho como um dos momentos mais fortes que já vivi. Quando entramos no quarto nossos corpos já conversavam sozinhos e a natureza se encarregou do resto. Não houve constrangimentos, medos ou inseguranças. Apenas amor.

JM Costa

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Meninas e meninos

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Enquanto as novelas tentam escalar audiência com beijo gay, traições e sexo desenfreado, os pais de meninas continuam ouvindo as mesmas piadas do século passado. Basta nascer um bebê do sexo feminino para alguém próximo ao pai soltar a piada pronta de sempre: “aêeeee vai passar de consumidor a fornecedor”. Como se aquela recém-nascida estivesse fadada a ser abatida dali a alguns anos.

A menina vai crescer, vai namorar e vai acabar dando pra alguém? É claro que vai. E tomara que sim. Ou será que ainda temos pais querendo que suas filhas sejam desvirginadas na noite de núpcias?

As meninas de hoje não são menos românticas, menos carinhosas ou menos fiéis porque não casam virgens. Pelo contrário. Elas são mais seguras, mais resolvidas e menos suscetíveis a virarem fantoche nas mãos de algum babaca.

Que beijem, que amem, que se apaixonem e se decepcionem. Que vivam e se experimentem. Que acima de tudo aprendam a se valorizar e a não se deixarem manipular. Que nossas meninas desabrochem e se realizem como mulheres em todos os campos que escolherem atuar.

E que nossos meninos aprendam cada vez mais cedo a importância que elas têm em suas vidas. Fomos todos gerados no ventre de uma menina. E é sempre ali, em seus braços, que quando amamos uma mulher nos sentimos completos e protegidos.

JM Costa